PAREDE

" A linha continua entre vinhas e pinheiros, por sobre os quais surge a serra dentada e roxa de Sintra. Mar largo, terra escavada, dividida por murinhos de pedra solta, e ao fundo sempre a serra, que nos vai acompanhar como um biombo cada vez maior e mais presente. Vigésimo quilómetro e atravessamos a meio a povoação da Parede. (...) Passa-se à Baforeira e ao 22º Km, Caí Água, numa situação pitoresca, num ponto em que a baía forma uma das suas mais belas ansas, e  onde as ondas batem com mais fúria e fragor nos rochedos abruptos. Ao longe aldeiazinhas pacíficas; à esquerda e sempre acompanha-nos agora o grande mar revolto."

In: Guia de Portugal; 1929

Em 1527, por censo feito, aparece a Parede como pertencente a S. Domingos de Rana; a Aldeia de Rana, com os casais da Parede e da Rebelva, tinha treze fogos.

Respondendo a um inquérito ordenado por D. José I (Inquéritos Paroquiais - 1758), o pároco da freguesia de S. Domingos de Rana, fazia referência à parede como sendo um dos 24 lugares que compunham a dita freguesia. Nesse inquérito a Parede surgia na primeira posição em termos de número de fogos - 52 fogos - em relação aos restantes 23 lugares, e "estava sujeita à justiça de Cascaes e à categoria da cidade de Lisboa".

Há um século a esta parte, que a Parede sofreu notório desenvolvimento devido ao seu micro-clima. A sua praia é preferida a outras do concelho e considerada zona de interesse terapêutico, como atestam a instalação de dois estabelecimentos hospitalares: Sanatório Marítimo Carcavelos ( atualmente Dr. José de Almeida) em 24 de agosto de 1902 e o Sanatório de Sant'Ana em 31 de julho de 1904.

Estas características aliadas à inauguração da linha de caminho de ferro entre Pedrouços e Cascais (1889) e a posterior extensão até ao Cais do Sodré (1895) vieram proporcionar uma maior abertura da "Linha" à população de Lisboa.

Esta nova acessibilidade apoiou o desenvolvimento de algumas localidades, nomeadamente, a Parede. Com a eletrificação da via férrea
(1926) a acessibilidade a toda a Costa do Sol e a que a Parede não é exceção, sofre um importante incremento e a articulação transportes - veraneio/terapêutica eram por si só justificativos para o crescimento da Parede.

A construção da Marginal e a remodelação da estrada Lisboa-Cascais na viragem da década 30 veio reforçar ainda mais o desenvolvimento de todas as localidades da Costa do Sol, pois verificou-se um incremento na acessibilidade em relação a Lisboa que permitiu uma maior mobilidade em termos de transportes para as pessoas mais ricas. A partir de meados do século XX e com o forte crescimento demográfico da cidade de Lisboa associado ao acentuar da tendência para que os excedentes demográficos da capital se instalem nas periferias desta, veio reforçar ainda mais a função residencial a tempo inteiro na Parede.

Em 1947 a Parede continua a fazer parte da freguesia de S. Domingos de Rana, concelho de Cascais e comarca de Lisboa. Nesta data, a sua população desfruta já de serviços de correio, telégrafo - possuía uma estação de 4ª classe de telégrafo postal, que prestava serviços de valores declarados, encomendas postais, cobranças, vales, ordens postais e Caixa Económica.

Em 1957, através do Decreto-Lei nº 39208 de 14 de maio é criada a freguesia da Parede que englobava os lugares do Murtal, Rebelva, Madorna, Parede, Penedo e Junqueiro, com uma área de 350 hectares e que em 1960 já registava uma população de 9054 habitantes. Em novembro de 1999 é elevada à categoria de Vila.

A freguesia foi uma das seis que constituem o concelho de Cascais, e está limitada a Sul pelo Oceano Atlântico, a Leste pela freguesia de Carcavelos, a Norte pela freguesia de S. Domingos de Rana e a Oeste pela freguesia do Estoril. Atualmente por força da nova reorganização administrativa deu lugar à União de Freguesias de Carcavelos e Parede.

A Parede está situada a 7 km de Cascais e a 22 km de Lisboa, com um posicionamento geográfico de 009º14'W e 38º 41'N.